Paulo Freire inspira série de entrevistas sobre arte e educação

Em oito episódios, websérie apresenta conversas entre pesquisadores, curadores e artistas que possuem o educador pernambucano como referência

Em 1963 o artista Francisco Brennand elaborou dez fichas de cultura destinadas ao sistema de alfabetização de Paulo Freire. As imagens, utilizadas no ensino de adultos, eram lidas como parte do processo educativo e continham cenas que provocavam debates sobre as experiências de vida de educandas e educandos, com especial ênfase para as relações entre humanos, natureza e cultura.


A Oficina Francisco Brennand parte desse profícuo encontro para pensar nas ressonâncias da pedagogia crítica do educador pernambucano nas práticas artísticas e curatoriais contemporâneas, nacional e internacionalmente, na série de entrevistas audiovisuais “Paulo Freire, Arte Contemporânea e Educação”. Composto por 8 episódios lançados periodicamente de 05 de outubro até dezembro deste ano, o programa apresenta oito episódios nos quais educadoras e educadores foram convidados a entrevistar artistas, curadores e intelectuais, cujos trabalhos, de maneira pontual ou continuada, tomam Paulo Freire como referência, inspiração ou tema.


Desenhos feitos por Francisco Brennand para cartilhas educativas elaboradas por Paulo Freire


“Pretendemos criar um arquivo e material de referência para educadores, artistas, curadores e pesquisadores, que apresentem e atualizem as ressônancias do pensamento do educador Paulo Freire nas práticas artísticas e curatoriais contemporâneas, oferecendo um mapeamento dessas práticas, em escala internacional”, diz Gleyce Kelly Heitor, Diretora de Educação e Pesquisa da instituição e idealizadora do projeto, e que há 5 anos investiga o tema.


A partir da pesquisa foi possível perceber que, para além das influências do pedagogo na prática de arte-educadores, a inserção de Paulo Freire no campo das artes se estende a artistas e curadores, que lançam mão de conceitos como escuta, diálogo e emancipação para alicerçar o pensar/fazer educação e arte na atualidade.


Cronograma e descrição dos episódios:

05/10 - Uma agenda para a arte e cultura em Paulo Freire

Gleyce Kelly Heitor (PE) entrevista Flávio Brayner (PE)

Episódio dedicado ao Movimento de Cultura Popular (MCP) e ao surgimento dos programas de educação para adultos concebidos pelo educador Paulo Freire. Gleyce e Flávio conversam, ainda, sobre o papel da arte, da cultura e dos artistas nas concepções de educação popular vigentes neste contexto.


19/10 - Círculos de cultura e extensão

Dimas Veras (PE) entrevista Jomard Muniz de Britto (PE)

Conversa conduzida por Dimas Veras, na qual buscamos rememorar o momento artístico, cultural e político do Recife, na década de 1970 e rendemos uma homenagem a Jomard Muniz de Britto, artista, poeta, cineasta e agitador cultural que além de atuar ao lado de Paulo Freire, nos Círculos de Cultura, foi precursor junto ao educador, de iniciativas de extensão na Universidade Federal de Pernambuco.


09/11 - Paulo Freire, pedagogias radicais e virada educacional das artes

Cayo Honorato (DF) entrevista Javier Rodrigo (Coletivo Transductores - Espanha)

Cayo e Javier dialogam sobre pedagogias radicais, processos de participação comunitária em curadoria e sobre as influências de Paulo Freire na prática do Coletivo Transductores. Problematizam, ainda, a pertinência de lermos Paulo Freire a partir de uma perspectiva decolonial.


23/11 - Escuta como agir político

Diogo de Moraes (SP) entrevista Janna Graham e Dont Rhine (Coletivo Ultra-Red - Inglaterra e Estados Unidos)

O tema da escuta, central na pedagogia paulofreireana, é o tema deste episódio no qual o artista e educador Diogo de Moraes entrevista os artistas, educadores e ativistas Janna Graham e Dont Rhine, que fazem parte do coletivo Ultra-Red.

As relações entre escuta e ação coletiva são abordadas na conversa, a partir da qual podemos conhecer as práticas do Ultra-Red - coletivo formado por artistas baseados na América do Norte e Europa - que intersecciona arte e ativismo, nas lutas por direitos civis, anti-racistas, em prol do desenvolvimento comunitário participativo, as políticas de HIV/AIDS bem como lutas por direitos de pessoas e grupos sexualmente dissidentes.


30/11 - Diálogo e curadoria

Moacir dos Anjos (PE) entrevista Tom Finkelpearl (EUA)

A partir da entrevista que Paulo Freire concedeu a Tom Finkelpearl, na década de 1980, Moacir dos Anjos convoca o curador norte-americano a refletir sobre a radicalidade do conceito de diálogo, na pedagogia paulofreireana. Os curadores refletem, ainda, como Paulo Freire articula estética, a função social da arte e do artista e como relaciona pensamento e ação política nas suas concepções de educação e sociedade.


Próximos episódios, já confirmados

Nomear é político

Rita Vênus (PE) entrevista Agrippina Manhattan (RJ)


Rap é Paulo Freire

Ariana Nuala (PE) entrevista Renan Inquerito (SP)


Assista ao primeiro episódio:




Versão com legendas em português: